Tipografia ¹

setembro 11, 2009 Deixe um comentário

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A tipografia é um dos pilares na construção do layout. Parece óbvio sua importância nos dias atuais, é como palavra e imagem fossem intrínsecos,  porém, na história da arte, esta junção é um acontecimento recente. Talvez um pouco mais de cem anos.

A fusão texto e imagem deve ser encarada como rica possibilidade de criação, capaz de proporcionar novos e eficientes layouts. É justamente esta visão e deslumbramento que faz o designer produzir várias possibilidades e fugir de composições óbvias e pouco atrativas. Mas é preciso tomar cuidado com o exagero que leva sempre a perca da compreensão. Veja só o que Hulburt diz: Essas profundas mudanças nas técnicas de composição e de design tipográfico funcionam ao mesmo tempo como benção e maldição. Como um garoto perdido numa confeitaria, o designer trabalha constantemente para se livrar do excesso que destrói a simplicidade, a objetividade e a originalidade do seu layout. (1999, p.100)

O texto deve ser visto como a capacidade de potencializar a imagem. Um bom design tem a capacidade de fazer a letra ser vista e não apenas lida. O próprio texto pode ser utilizado como imagem principal. Para isso é preciso compreender que, antes de código lingüístico, a letra é imagem e antes de ser lida ela é vista. Antes da extensão do texto ser percorrida código a código, a visão o envolve como um todo. Através deste processo, as palavras, muitas vezes, deixam de ser compreendidas através da leitura para serem percebidas como imagem, que, automaticamente, são associadas ao objeto que representa. Exemplo: a palavra casa, que, dependendo do repertório do receptor, já não precisa lê-la. Trata-se de uma palavra que é apenas vista e, automaticamente, recebida sua idéia equivalente, normalmente através de imagem.

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Assim, é preciso levar em consideração, além da informação, o potencial visual da letra. É fundamental que o tipo de letra utilizada facilite a compreensão das informações.

Por fim, deixo registrado uma outra importante característica tipografia, quase sempre esquecida, é que ela demonstra cultura. De acordo com Frutiger (1999), em cada época, é possível traçar uma correspondência de estilos entre a arquitetura e a caligrafia. O autor nos fala que “a história da escrita é uma “grafologia” das culturas passadas” (p.139). Ou seja, a escrita de cada época, revela sua cultura.

Espero com esse breve texto ter ampliado, mesmo que um pouco, os horizontes de todos aqueles que se aventuram nesta área fascinante do design. 

Utilizei as obras a baixo como base teórica. Lembro que estes são referências para os estudos de design:

HURLBURT, Allen. Layout: o Design da Página Impressa. São Paulo: Nobel, 2002.
FRUTIGER, Adrian. Sinais & Símbolos. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Paulo Henrique T. de Oliveira

Vamos falar de Crise

agosto 21, 2009 Deixe um comentário

crise

 

Convido-os a refletir não sobre esta crise econômica maluca causada pelo excesso de confiança dos bancos norte-americanos em títulos sem valor, mas de forma genérica. Pensar na crise como a saturação de um sistema. Vale lembrar que são em épocas de crise que surgem as grandes idéias. Sendo justamente este um dos pontos mais enriquecedores nestes cenários.

Ora, se em determinada época um nicho de profissionais passam a adotar teorias e conhecimentos idênticos, certamente em pouco tempo aquele círculo de profissionais estarão executando tarefas da mesma forma e correndo riscos iguais. E assim, surge então uma homogeneidade perigosa, diria mais certamente, uma balança pendente para um único lado. Desta forma, caso haja uma falha na teoria adotada, todo um mercado irá sofrer as conseqüências, entrará em colapso. Tem-se aí um início de crise. Mas felizmente é na crise que surge a vanguarda. Aqueles que não foram escutados no período de crise surgem como uma terapia alternativa para antigas dores.

No Marketing, por exemplo, tornou-se uma dura realidade que a mídia tradicional perdeu o seu encanto, apesar de curiosamente muito dinheiro ainda ser investido nelas. Do outro lado da tela temos um público enfadado e pouco motivado a doar alguns segundos de sua atenção. O motivo é simples, não é possível instruir-nos através das mesmas cartilhas e esperarmos produzir originalidade. Felizmente o fato é que toda crise gera idéias salvadoras. Para o marketing tem surgido o tão falado “marketing viral” e o ”marketing social”. Que, diga-se de passagem, começa a entrar em período de revisão. A verdade é que a maioria dos profissionais para entrar no círculo do momento prefere correr e ler as verdades absolutas da moda à apressar-se para ler o que está na moda e mais ainda tudo aquilo que a moda abandonou.

Desta forma, a fim de transpor as crises, inclusive as internas e pessoais, é fundamental manter a balança equilibrada, mantendo a mente aberta e alerta, dando ouvidos à idéias absurdas, certamente, elas lhe darão uns bons minutos de diversão e quiçá mostrarão o caminho para a originalidade e solução.   

Para resumir tudo isso, lembremos de um pensamento antigo, um daqueles que não entram na moda, mas não saem dos mais lidos:

“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar “superado”.” Albert Einstein     

Paulo Henrique T. de Oliveira

A Nova Comunicação e a Transmídia

agosto 14, 2009 Deixe um comentário

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Paulo Henrique T. de Oliveira

¹ target = Público alvo

Não faz muito tempo, o mundo da comunicação ativa e profissional percebeu-se, com um grave problema, o repentino sumiço do target¹. O fato foi percebido quando o público parou de responder às promoções relâmpago da TV, aos “destaque aqui e apresente” das revistas e ao “ligue já” do rádio. Era o terror do alto investimento para o baixo retorno das mídias tradicionais. Enquanto isso o target, dissimulado e sem coração, continuava a andar pelas ruas como se nada estivesse acontecendo. E, pior, insistia em tomar decisões próprias e carregar com ele outros que ainda não haviam sido infectados com o sumiço. A verdade, que não se queria ouvir, era que a mídia tradicional já não dava o mesmo retorno. Foi então que descobriu-se o foco viral: a INTERNET.

Para o target este vírus se apresentava como um antídoto contra anúncios indesejados. Um local onde poderia expor suas idéias, um local livre para enaltecer e destruir marcas e produtos. Foi a forma para dizer “A farsa acabou!”. Então percebeu-se que a internet era um imenso meio mal explorado. E assim, a comunicação especializada, impulsionada pela força do marketing, encontrou a internet. Por outro lado, dentro da própria internet um novo formato de comunicação tomava forma, a Transmídia.
Segundo Henry Jenkins, Co-Diretor do Programa de Estudos Comparativos da Mídia do MIT, o termo Transmídia significa “relacionamento coordenado entre todas as partes, de forma que cada mídia contribui para o meio”. Referindo-se ao relacionamento entre as empresas e o consumidor. Na Transmídia a comunicação é repassada e divulgada através de várias plataformas, sendo a digital como principal, que depois é retransmitida por qualquer pessoa interessada. Talvez você diga “Afinal o que isso tem de diferente do que já tentávamos fazer?”.

A novidade está na liberdade do público para interagir com a marca e nessa experiência ele passa a ser também um divulgador. Na transmídia a divulgação está passível de alterações que podem beneficiar ou danificar seu produto ou marca. Assim, qualquer passo em falso e sua empresa poderá não estar mais no mesmo lugar. São vários os casos de sucesso em que empresas investiram 0% em mídias tradicionais. Essa é uma das maiores benesses da transmídia. Baixo investimento e alto retorno. Mas calma, antes que todos “zerem” investimentos em mídias tradicionais, vale lembrar que estas partes envolvidas na transmídia surgem apenas como reforço. Ou seja, não é uma questão de substituição, mas complemento do esforço de marketing através de ferramentas personalizadas.

A principal forma de gerar transmídia é criar um conteúdo e fazer seu público discutir sobre este. Dê entretenimento para seu público, presenteie-o. Nada de pedir algo em troca! Lembre-se que sua comunicação é totalmente aberta e está passível de “brincadeirinhas“ que certamente irão ocorrer. Bom, diante disso, devo pedir para você relaxar e depois refletir. Se estão falando mal do seu produto é porque foi identificada uma falha que você insistia em não admitir. Mãos à obra e conserte a falha. Segundo Mark Warshaw, criador do seriado Heroes, a forma mais eficaz de fazer merchandising é a composição do que ele chama de “intretenimento”: Internet, Interatividade, Integração e Internacionalização. A mistura de mídias alternativas e entretenimento.

Esta é a transmídia colaborando com o marketing viral! Viral? Viral não, “Tem que espalhar a mensagem entre eles (consumidores) e não infectá-los” afirma Henry. Não queremos matar nosso público, certo? Então, presenteie-o com entretenimento e deixe-o interajir com a informação. Deixe que ele contagie os outros.

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